31 Janeiro 2022

Hadits

O ADULTÉRIO E APEDREJAMENTO

Penas de morte por apedrejamento, segundo relatos de vida do profeta Maomé.

Para dar algum contexto, a lapidação ou apedrejamento é um meio de execução muito antigo que consiste na condenação à morte através do arremesso de pedras. Apesar de o livro sagrado do Islão, o Alcorão, não mencionar a lapidação como pena de morte, existem alguns relatos da vida de Maomé que justificam essa prática, em que o exemplo principal é quando o homem ou mulher casada praticam o adultério.

Ainda hoje, a lei islâmica aplicada em certos países é fundamentada nesses relatos de vida do profeta e, infra, temos alguns exemplos de traduções de textos retirados dos ahadits de Bukhari, o qual compilou os sunas, ou seja, os feitos e instruções de Maomé para a humanidade, relatados pelos seus seguidores:

  • Narrado por Ash-Sha'bi: Quando Ali apedrejou uma mulher numa sexta feira. Ali disse: "Eu apedrejei-a de acordo com a tradição do Apóstolo de Allá".
-Sahih Bukhari, Volume 8, Livro 82, Número 803

 

  • Narrado por Abu Huraira: Um homem apresentou-se ao Apóstolo de Allá enquanto este estava na mesquita e ele chamo-O, dizendo:” Ó Apóstolo de Allá! Eu cometi relações sexuais ilegais”. O Profeta virou a cara para o outro lado, mas após o homem repetir a sua afirmação por mais quarto vezes, apresentando testemunhas contra si próprio, o Profeta chamo-o dizendo: “Estás maluco?”. O homem disse: “Não.”

    O Profeta perguntou: “És casado?”. O homem respondeu: “Sim.”

    Então o Profeta disse: “Levem-no daqui e apedrejem-no até à morte.” Jabir Bin Abdullah disse: “Eu estava entre os que participaram no apedrejamento, e nós apedrejamo-lo na Masalla. Enquanto as pedras lhe acertavam, ele fugiu, mas nós apanhamo-lo na Al-Harra e apedrejamo-lo até à morte.”

-Sahih Bukhari, Volume 8, Livro 82, Número 806
 
  • Narrado por Ibn ´Umar: Um judeu e uma judia foram trazidos perante o Apóstolo de Allá sob a acusação de terem cometido um ato sexual ilegal (adultério).

    O Profeta perguntou-lhes: “Qual é a punição legalmente estabelecida para este pecado prevista na Tora?” 

    Eles responderam: “Os nossos sacerdotes inovaram na punição determinando a pintura das faces com carvão”. 

    'Abdullah bin Salam, disse: “Ó Apostolo de Allá, dizei-lhes para trazerem a Tora”.

    A Tora foi trazida e então um judeu pôs a mão sobre a o Verso Divino relativo à morte por apedrejamento e leu-o. 

    Ibn Salam disse então ao Judeu: “Levanta a tua mão. Comtemplem! O Verso Divino sobre o apedrejamento estava debaixo da mão dele.” Então, o Apóstolo de Allá (Maomé) ordenou que estes dois pecadores fossem apedrejados até à morte, e então nós assim fizemos. 

    Ibn 'Umar aditou: “Então os dois foram apedrejados no Balat e eu vi o judeu abrigar a judia.”

-Sahih Bukhari, Volume 8, Livro 82, Número 809

 

  • Narrado por Ibn 'Abbas: Quando Ma'iz bin Malik abordou o profeta (para confessar) o Profeta disse-lhe: “Provavelmente apenas beijaste a senhora, ou piscaste o olho, ou olhaste para ela.” “Não, ó Apóstolo de Allá!”. 

    O profeta perguntou: “Tiveste relações sexuais com ela?”. 

    O narrador aditou: “Perante a confissão, o Profeta ordenou que ele fosse apedrejado até à morte.”

-Sahih Bukhari, Volume 8, Livro 82, Número 813

 

Comentário: Esta agressividade, esta falta de compaixão não pode ter como justificação os hábitos da época. Os hábitos da época não podem servir de desculpa para estas barbaridades.

Cerca de 7 séculos antes destes episódios, Jesus Cristo, numa situação idêntica, pretendeu revogar a lei da lapidação por adultério no famoso episódio do Novo Testamento que se encontra em jo8: 1-11, a respeito de uma mulher que seria apedrejada segundo as leis judaicas daquela época. Jesus Cristo pronuncia a celebre frase: “AQUELE QUE NÃO TIVER PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA”, o que deixou todos aqueles que condenavam aquela mulher, que havia praticado adultério, sem forças nem tão pouco razão para condena-la. Aos poucos todos que a condenavam saiam cabisbaixos, depois que todos saíram, Jesus Cristo aproximou-se e perguntou: Mulher onde estão aqueles que te condenavam? , vá e não peques mais."

Ou seja, Jesus Cristo, 7 séculos antes dos episódios que se assinalaram em cima acerca de Maomé, e quando era prática comum a lapidação por adultério, tomou uma atitude inovadora, mais benevolente, a qual levaria à revogação daquela lei da lapidação. Foi possível alterar mentalidades e hábitos na comunidade. Um bom líder pode impor novos hábitos.

O que vemos com Maomé, neste tipo de barbaridades, foi manter o status quo. Não promoveu qualquer inovação no caminho da paz nem do amor. O que fez foi validar hábitos bárbaros antigos e até repristina-los. Quando Jesus tinha revogado este tipo de monstruosidade, Maomé veio restabelecer 7 séculos depois estas monstruosidades.

Porque não prosseguiu Maomé um tipo de atitude mais pacificadora, mais humana?

Além de que Maomé entra em contradição com estes preceitos, quando, enquanto casado com várias mulheres, comete ele próprio adultério em 628 com uma das prisioneiras judias que avocou para si, após um cerco a uma comunidade judaica, que Maomé pretendia converter ao Islão. Após mandar matar o marido desta judia, por este ter dissimulado os seus bens ao profeta do Islão, Maomé fê-la partilhar a sua cama nessa noite tendo tido relações sexuais com ela com o período menstrual, violando assim as suas anteriores ordens que determinavam que os seus partidários teriam de esperar o fim da menstruação para se unirem às suas prisioneiras.Esta rapariga tinha o nome de Çafiyya. 

Ou seja, Maomé impunha aos outros determinações que para si não se aplicavam.

Mandava matar o adultero por  lapidação. Mas as regras não se aplicavam a si.

Será possível dizer-se hoje em dia que as comunidades islâmicas são mais humanas e evoluídas que as comunidades ocidentais, com base nestes princípios?

Pode-se dizer que alguns os países muçulmanos hoje em dia não praticam estas barbaridades. Mas a contradição é que, devendo os muçulmanos seguir os mandamentos e atitudes de Maomé, se não o fizerem não estão a cumprir as suas prescrições sociais, e como tal, não estão a seguir Maomé.

Das duas uma: ou seguem as ordens e exemplos de vida de Maomé e são considerados fieis e tementes a Allá, e cumpridores, e desta forma adotando atitudes barbáricas; ou então não seguem estas atitudes, e não podem ser considerados muçulmanos, na verdadeira ascensão da palavra.

Ser muçulmano é seguir o Alcorão e Maomé na integra. Não é renega-lo. Caso contrário, são muçulmanos não praticantes.

Se os muçulmanos se considerarem uma religião de paz e amor, quando têm como ordem por parte de Maomé a lapidação, por exemplo, então seria uma contradição insanável que será impossível de esconder.

Se de facto, um muçulmano é um agente de paz e amor, por não seguir estas práticas, a verdade é que não está a ser um bom muçulmano aos olhos do fundador do Islão.

Os Talibã, são os "estudantes do Islão." São chamados de radicais pelos próprios muçulmanos. Mas a verdade é que são os que seguem o Islão tal como Maomé o definiu. Os outros muçulmanos mais moderados é que não seguem, e bem, as barbaridades deste género que estão definidas no Alcorão e nos Ahadits.

Mas de facto, ser radical islâmico é seguir à risca o Alcorão e os Ahadits, o estatuto que Maomé dava às mulheres, (não às suas 9 mulheres mas sim às outras); é maltratar os embriagados; é apedrejar as mulheres adulteras, é não permitir que haja musica (sim, porque Maomé proíbe a musica, de facto); é matar o infiel que não se converta ao Islão.

Um muçulmano, para se considerar muçulmano, tem de admitir que pretende seguir Maomé e as suas instruções primitivas. Quando se diz muçulmano não pode esconder que abraça também estas prescrições bárbaras que Maomé fez aos seus séquitos. Tem de admitir que as corrobora e concorda com elas.

Porque se não concordar, então entra em contradição com a sua religião, e no máximo considera-se um muçulmano não praticante.

Mas qual o sentido de abraçar uma religião e depois não a seguir?

E parece-me muito duvidoso, salvo melhor opinião, que o Islão e Maomé poderem invocar que promovem a paz e o amor fraterno entre humanos.

O que pode ser também uma realidade é haverem de facto muçulmanos não praticantes, que, sendo moderados e pessoas sensatas, conseguem viver em comunidade com os outros seres humanos não muçulmanos.

Mas não podem é dizer que são verdadeiramente muçulmanos.

 

Nota: este artigo refere-se à biografia de Maomé, à história da religião, do Islão e origem do Islamismo, e prescrições que o Alcorão determinou para os muçulmanos.

Os factos apresentados neste artigo sobre Maomé têm como base a bibliografia apresentada no nosso site, nomeadamente o Alcorão e os Ahadits.

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